Saudade, quem não a tem?

saudade

 

Saudade é uma palavra que os eruditos, ou os mestres da filologia dizem que somente existe na língua portuguesa. Eu, não sou tão erudito assim, mas se for verdade, os lusos criaram, depois das mulheres portuguesas, uma das coisas que mais aprecio. É gostar de mulheres e depois sentir saudades delas.

Quando percebemos que estamos chegando ao ocaso de nossa existência, às vezes, bate uma tremenda saudade e, pasmem vocês, não é apenas saudade de uma linda mulher que amamos no passado, que foi embora de nossa juventude e nos deixou com dor de cotovelo.

Saudade é algo tão profundo, mas tão profundo, que pode ser até de momentos difíceis de nossa existência mundana, ou de perigos que enfrentamos e vencemos nas barreiras que julgávamos impossível de transpô-las. Eu sinto saudade até de minha amada Santa Tambura que vive nas entranhas da floresta Amazônica e que faz tempo que não a vejo…

Sinto saudade até do cheiro da pólvora e do cordonite quando estourava dinamites em pedreiras de Rondônia… Ah, quanta saudade das caboclinhas das barrancas dos meus rios e igarapés da Amazônia. Aquele odor selvagem cheirando a suor e feromônios? Cheiro que transformava nosso sangue em adrenalina pura e fazia a gente cumprir as mais estapafúrdicas missões dos nossos comandantes? Só para voltar pra elas!

Quem não sente saudade de uma cidadezinha bucólica com um riozinho, onde aos domingos a gente ia em famílias para desfrutar suas águas e suas belezas naturais e trocar olhares complacentes com uma “mina”?

Quem não amargou um “não” de uma garota e sentiu o coração fazer os olhos umedecerem de dor e saudade? Quem não sentiu isso na vida, não passou por ela…

Como diz o poeta, se você não viveu a dor da saudade de um amor perdido, não viveu a vida, passou por ela em brancas nuvens que o vento leva para além… Até da compreensão humana sentimos saudades, completou o sábio seringalista Sissi lá dos cafundós da Calha Norte…

Qual Zé, não chorou de saudades por causa da Maria? Qual Maria ou Tereza não chorou de saudade do jovem João, que foi para a cidade grande em busca de um futuro e nunca mais deu sinal de vida?

O filósofo Zé Praxedes afirmou que muitas vezes ficou com os olhos úmidos de saudade de seus entes que se foram, da namorada que o deixou por outro, dos companheiros com quem trabalhou dois anos na África, ou com os veteranos do BGP que, há pouco tempo homenageou-os com um jantar e em baile de gala com a orquestra do batalhão de Brasília?

Já vi homem barbado chorando de saudade! Já vi mulher feita, culta, em prantos, inconsolável porque seu homem a trocou por outra com menos pedigree… Saudade é coisa boa em alguns momentos, terríveis em outros. Mas todos, os durões e os poetas, choram igualmente quando ela bate no peito e faz o coração bater arfante, arfante até demais!

Quem, no passado, não viu uma mulher acenando com um lencinho branco e perfumado até que o trem jorrando fumaça e fogo para cima, como um dragão, sumisse na curva da estação ferroviária, deixando para atrás uma mulher em prantos? É a saudade antecipada deixando sua marca indelével no coração de uma mulher apaixonada.

Ah, que saudade da primeira professora, do primeiro beijo roubado da namoradinha, até das primeiras lágrimas que o primeiro amor provocou quando ela mudou de cidade!

Saudade, amor e renúncia são coisas inerentes à vida do ser humano, quem não as teve, não viveu a vida, apenas passou por ela como a brisa que sopra do mar, se choca nos rochedos e desaparece… Saudade nos diz que estamos vivos!!!

Saudade diz que estamos vivos, que estamos prontos para novos amores, para novas inteirações. Ela é a força que magnetiza nosso ser, para as próximas aventuras, amorosas ou não. Mas sem saudade, realmente não sentimos a vida fazer parte de nossa existência, nem o coração pedir pra sair pela boca! Viva o amor! Viva a Saudade! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com Blog: https:\\kfouriamazonia.wordpress.com – Contatos P\palestras: 17-99186-7015.

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