Nem Justiça ou governo resolvem confronto com índios

 indio novo

 

 

Desde oito de julho de 1970 quando o Instituto de Colonização Agrária – INCRA – foi instalado em Rondônia com a missão de colonizar o ex-território, o Brasil já havia praticamente dizimado a cultura deles em todo território nacional.  

Com certeza, as áreas onde o Governo Militar assentou milhares de pequenas famílias rurais, eram terras de seringalistas que detinham títulos e escrituras doados pelos estados da Calha Norte durante o esforço de guerra com o chamado de milhares de nordestinos, os chamados Soldados da Borracha ou Arigós, que adentraram na selva e foram os primeiros brancos a colonizar o que até então era chamado de “Inferno Verde” pelos sulistas e estrangeiros.

A Amazônia estava desvirginada a partir daí? Perguntou minha querida Santa Tambura, lá de onde o coronel Lucena perdeu os coturnos. É bom lembrar que naquela época, jacaré nadava de costas e macaco tomava água de canudinho nos rios e igarapés, com medo das piranhas pretas, ou das cajus avermelhadas.

Outrossim, lembrou o velho pajé Miratinga, da tribo guerreira dos Uru Eu Uau Uau, que antes mesmo dos primeiros soldados da borracha chegarem na Região Amazônica, toda terra que o mundo conhece hoje como Brasil, na realidade, tinha dono, sim. Os índios que eram em torno de 19 milhões, quando Cabral aportou em Porto Seguro com suas três caravelas abarrotadas de degradados e criminosos expulsos de Portugal, foram ao longo dos anos sendo dizimados pelos brancos invasores.

O sábio seringalista Sissi, lá das barrancas do rio Machadinho D’Oeste, onde tem seu seringal, afirmou via sinal de fumaça, que se neste país tivesse Justiça com “J” maiúsculo, as terras deveriam ser devolvidas para os índios. Mas tem uma controvérsia, se meteu o filósofo das selvas amazônicas, o Zé Praxedes.

Acontece que devido a integração indígena com a cultura branca, esta sub-jugou a vermelha com presentes de espelhinhos, facões, colares e panos de chitas para as índias cobrirem seus belos corpos nus e avermelhados. Os índios foram aculturados, se mudaram para as periferias das cidades dos brancos, tiraram cédula de identidade, alguns até carteira de habilitação, outros estudaram a cultura dos brancos e fizeram até faculdades.

Os índios que estão confinados na Região Amazônica, em terras já demarcadas, estão melhores que os guaranis das Missões no Sul, estes perderam até a identidade, assim como os caiçaras no litoral sudeste.

Agora, temos conflitos na Bahia, entre Patachós e colonos, o mesmo acontecendo no Mato Grosso do Sul entre os Guaranis e os agricultores que estão em terras documentadas há mais de um século.

A Justiça não sabe como resolver e, tampouco o não tão culto ministro Cardozo, da Justiça do atual governo petista, que deu um pífio vexame, ao perder as estribeiras diante das câmeras de TVs que faziam a cobertura de sua ida para mediar o encontro dos índios com os colonos.  Se, juridicamente ele é fraco, como estadista, se saiu pior ainda. Arre égua! Exclamou o Nézin Manguaça que, nem em pé conseguia ficar, mas deu um palpite: “Óh chente, dá uma foice ou um terçado pra esses índios e vê se eles fazem alguma coisa nas terras a não ser plantar mandioca? Ora, tem gente na cidade que até paga pra plantar mandioca…” Menos Nézin, menos…

Já intermediei muitos conflitos em áreas de assentamentos com invasores do MST, grileiros e índios também. Na maioria das vezes consegui ajudar a resolver os impasses, mas com índios é totalmente diferente, sempre dizia meu saudoso amigo indigenista Meirelles, que foi assassinado num caixa eletrônico do Banco do Brasil, em Porto Velho.

Quando Meirelles tentava sacar dinheiro, foi abordado por um jovem drogado de 15 anos que lhe deu um tiro certeiro para roubar míseros 100 reais. Uma morte imperdível que faz falta nestes momentos de tensão que vivemos aqui e acolá com nossos irmãos indígenas.

Só para homenageá-lo, ele nasceu numa aldeia dos Xavantes em Mato Grosso e era filho de pai famoso, o imortal Cecílio Meirelles, que o Brasil idolatra até hoje. Com a morte de pai e filho, os índios do Brasil ficaram órfãos e, o que é pior, sem terras demarcadas em sua maioria e com um órgão que não serve para nada.

A FUNAI é um órgão federal, mas não tem gente preparada e tampouco sabem tratar das questões indígenas, seu trabalho quase sempre é questionado por causa de corrupção. Espero que pare de correr sangue nestas questões que vem rolando há séculos neste país de faz de conta! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, Escritor e Ambientalista. Kfouriamazonia39@gmail.com. Blog: https:\\kfouriamazonia.wordpress.com – Contatos P|Palestras: 17-99196-7015.

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Um comentário sobre “Nem Justiça ou governo resolvem confronto com índios

  1. ” Nem Justiça nem governo resolvem confronto com indios”… acompanhei nos bastidores, porém de bem perto a desocupação da Raposa Serra do Sol. Na época residia em Boa Vista- RR, e além das noticias televisionadas em redes locais e jornais regionais, tínhamos as manifestações que aconteceram por parte dos trabalhadores, familiares e produtores de arroz. Me lembro de Paulo César destruindo toda a área construida da sede de sua fazenda, e levando embora até as telhas pra não deixar nada pra traz. As manifestações em Boa Vista, vinham acompanhadas de maquinas gigantes e um clima de tristeza e derrota já era perceptível na rosto dos manifestantes. A maioria da mão de obra dos “arroizeiros” era indígena, um povo que se acostumou ao trabalho e a remuneração, vivia da produção de arroz. Tínhamos na verdade uma guerra interna NÃO noticiada da maneira como o foi. Governo, ongs sangue- sugas, produtores e guerra interna entre os indígenas, pois alguns compravam caminhonetes importadas com sacos pretos cheios de dinheiro, que provinha de verba do governo e de pedras preciosas, e outros dependiam do que ganhavam nas fazendas de arroz para sobreviver. A verdade é que o governo como sempre venceu, os ” Arroizeiros” foram tirados das terras, os Indígenas brigaram entre si, ouve mortes, a guarda nacional entrou, demarcou a reserva, e as ongs chegarão como ” Se já não estivessem por lá” e dominaram tudo. A mão é de quem? …

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