Semana da árvore, vamos plantar!

árvore

 

Dias destes assisti impávido o Exército Brasileiro explodir mais uma pista de pouso clandestina na minha amada, úmida e gotejante Amazônia onde vivi por quatro décadas em suas fronteiras.

Até ai, nada de mais, os homens de verde e oliva cumpriram mais uma vez sua tarefa em operar na fronteira da Calha Norte. Mesmo depois de voltar a minha galante e maravilhosa Rio Preto, nunca deixei de trabalhar em nossa Calha Norte, afinal, foi lá que vivi intensamente minha vida, ora defendendo a imensa e  indefesa fronteira com os países do norte brasileiro, ou ajudando os povos tradicionais das florestas.

Há poucos dias, aqui mesmo nesta coluna, denunciei o fato de garimpeiros e contrabandistas estarem pirateando ouro, diamantes, nióbio, cassiterita (estanho), urânio e até madeira pela divisa da Venezuela e Suriname. Foi com alegria que assisti as explosões que acabaram com mais uma pista clandestina de pouso e decolagem de pequenos aviões que contrabandeiam nosso ouro e demais riquezas para os países vizinhos e trazem armas e drogas para nosso território.

Se não bastasse o estrago que garimpeiros fazem na Amazônia, com o desmate ilegal para construir pistas de pouso clandestinas, eles ainda derrubam por ano milhares de árvores e, o local onde é trabalhado para retirar o ouro, fica o rejeito que demora quase 100 anos para recuperar a floresta.  O prejuízo para o Meio Ambiente é imensurável. Alguém já viu um garimpeiro ilegal plantar uma árvore? Não? Nem eu!

Um trabalho recente da ONU demonstrou que o mundo destruiu mais de um trilhão de árvores em nome do progresso da humanidade. Só que tal fato está contribuindo também para o fim da humanidade. Um planeta precisa de árvores para sobreviver. Quem nunca ouviu aquela frase: “O campo vive sem as cidades, mas as cidades não vivem sem os campos”. Nada mais certo.

No entanto, desde que voltei para a bela e galante Rio Preto, como a trata o imortal jornalista e escritor Jotatê, da Academia Rondoniense de Letras, nunca vi um projeto de paisagismo da Prefeitura.

Aliás, nunca vi uma grande obra da Secretaria do Meio Ambiente Municipal de Rio Preto. Nem eu e nem minha amada Santa Tambura lá da devastada Amazônia que, de um ano para cá, perdeu mais 68% de sua floresta para os grileiros do agronegócio. Isso é uma ignomínia!

Rio Preto só tem uma arborização intensa e bonita que fica na avenida Murchid Honsi, fruto do trabalho do advogado Faiçal Romano Calil, quando foi secretário municipal de uma pasta aqui na nossa cidade, que hoje, se tirarmos o cartão postal antigo que forma a represa, veremos que o prefeito atual nunca construiu um parque verde em bairros periféricos. Pelo contrário, o negócio do alcaide são grandes construções, obras caras, de cimento e ferro, mania que os políticos megalomaníacos do Brasil todo têm. Sem querer ofender…

Mas imaginemos que, se nesta semana da árvore, cada um de nos plantássemos uma? Quem não ficaria feliz com uma bela sombra onde se poderia ficar bebendo água fresca? Até meu velho e sábio seringalìsta Sissi, lá do interior rondoniense me falou por sinais de fumaça, que só neste ano, já replantou mais de mil árvores nas margens devastadas do rio Machadinho D’Oeste.

Disse ele, que os donos de fazendas vizinhas derrubaram a mata ciliar até as margens do rio que estava ficando assoreado. Ele contou com a ajuda de uma associação rural dos pequenos agricultores de um assentamento do INCRA, para tentar salvar o rio que outrora fora piscoso até demais.

Até o filósofo Zé Praxedes, também lá dos cafundós da bela e luxuriante Amazônia, mandou um recado para os rio-pretenses, não esperem o prefeito plantar árvore não, tem prefeito que não planta nem mandioca em casa, faça tua parte e pronto… missão cumprida!

Como eu moro numa chácara no meio de uma mata que preservamos aqui no nordeste de Rio Preto, já comprei meia dúzia de árvores para plantar na “Toca do Guerreiro” que, além de arborizada com plantas frutíferas, há também as nativas como ipê, jacarandá, sicupira e quatro belos coqueiros.

Mandioca para fazer farinha? Já plantei, agora é a vez das árvores. Vamos nessa, rio-pretenses? Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com  Blog: https:\\kfouriamazonia.wordpress.com – 17-99186-7015

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