Fatos misteriosos na floreta amazônica

Mapinguari

 

Se há uma lenda na Amazônia que passa de geração para geração é a do lendário Mapinguari. Segundo os índios, ribeirinhos e caboclos, ele tem uns três a quatro metros de altura, tipo humanóide, corpo peludo, mas com carapaças no peito que parecem cascos de tartaruga. Diz a lenda, que ele quando zangado, ataca os homens e mata com as mãos a caça que vai lhe alimentar.  

Tiago de Melo em seu livro “Mormaço na Floresta” diz que o Mapinguari é o duende mais poderoso da floresta, considera-se o dono da mata. A narração de agora em diante foi verídica, dela além de mim, participou meu saudoso amigo capitão PM Brasil que faleceu há dois meses em Porto Velho em sua cama, em sua casa como ele desejava. O capitão Brasil foi um bravo delegado de polícia à moda antiga, um pacificador de rincões do antigo Território Federal de Rondônia, hoje um dos estados mais pujantes da federação brasileira.

Também faz parte da estória o atual governador rondoniense dr. Confúncio Moura que, na época morava numa cabana de tábuas e coberta de palhas na cabeceira da pista de pouso de Vila Velha de Ariquemes, juntamente com seu irmão Nobel Moura, também médico oriundos de Goiânia. Brasil foi um bravo delegado, pacificador do outrora Território Federal de Rondônia.

Certo dia estava eu na delegacia da velha Ariquemes, quando entraram  dois senhores  carregando a reboque um jovem de uns 30 anos, de quase dois metros, louro, forte, cabelos longos desalinhados e muito suado, com a roupa grudada ao corpo. Os olhos esbugalhados e não falava coisa com coisa. Estava totalmente em choque, catatônico, por isso chamei o capitão Brasil e este mandou deitar o jovem numa cama de cimento em uma das celas vazias.

Imediatamente mandei chamar o dr. Confúncio Moura para atendê-lo. O médico e hoje governador de Rondônia, depois de duas vezes deputado federal, aplicou uma série de injeções no jovem cujos documentos diziam que ele era gaúcho de Lagoa Vermelha. O rapaz parece ter voltado ao normal por uns raros minutos e disse que no acampamento onde ele e mais uma dezena de companheiros faziam uma derrubada, aconteceu algo estranho e todos estavam mortos. Logo em seguida ele voltou ao estado de choque e o médico mandou que o levasse para o Hospital São José, de Porto Velho. E Assim foi feito.

No dia seguinte o capitão Brasil, eu e os soldados Zé Bala e Trindade localizamos o acampamento descrito pelo jovem gaúcho, uns 15 quilômetros selva a dentro, fora da BR e, todos ficamos horrorizados e sentimos as pernas tremerem quando  vimos um quadro dantesco.

Quatro ou cinco barracos estavam amassados como se um pé gigantesco pisasse e amassasse todas as cabanas. Havia pedaços de corpos por todos os lugares do acampamento. O mais tétrico de tudo isso, era que os mortos pareciam frangos assados e despedaçados com as mãos, como se desmembrassem as asas, as pernas, os pescoços e as cabeças, sem sinais de facas ou qualquer outro tipo de armas.

O capitão Brasil falou com alguém em Porto Velho, via rádio que um soldado carregava nas costas e que tinha uma antena de uns três metros, acho que com seus superiores ou com membros do Exército Brasileiro, pois eu achei estranho as ordens recebidas. Fotografamos tudo com uma máquina russa que eu tinha, marca Laica, coberta de couro. E o capitão Brasil, depois de gastar dois rolos de filmes não a me devolveu mais. Abrimos valas e enterramos todos os pedaços de corpos humanos sem identificá-los e ficamos proibidos de comentar e, eu de fazer uma matéria que poderia ser de nível nacional ou, quiçá, mundial.

Na volta, fiquei na antiga Ariquemes, só o tempo de tomar banho no Hotel Mara, do seu João Piauí, e pegar meu Fuscão 72 e voar para Porto Velho, ainda com o estômago embrulhado. Queria ver, conversar e fotografar o jovem gaúcho de Lagoa Vermelha, no Hospital São José. Narrei tudo aos meus superiores no jornal O Guaporé e fui aconselhado a seguir as ordens das autoridades, mas me deram uma máquina nova e fui ao hospital entrevistar e fotografar o jovem gaúcho.

Fui recebido pela Dona Helena, diretora que me liberou e mandou um enfermeiro me acompanhar até o quarto onde estava o jovem gaúcho, que escapou da matança na floresta. Sabem como o encontramos no quarto do hospital? De joelhos, enforcado com seu próprio cinto amarrado na maçaneta da porta e a língua de fora e todo roxo. Foi assim que eu o fotografei e fiz a matéria na editoria policial do extinto jornal O Guaporé.

Aqui de São José do Rio Preto-SP, eu e minha esposa falamos com o capitão Brasil e sua esposa. Ela disse que ele estava em estado terminal e não podia falar. Mas quando soube que era eu, insistiu e com voz rouca e forçada falou emocionado comigo e eu idem. Ele falou para minha esposa que depois de sua morte, eu poderia contar nosso segredo.

Pronto meu querido amigo e capitão Brasil. O segredo não existe mais! Terá sido o Mapinguari? Só Deus deve saber! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com – Blog: https:\\kfouriamazoniawordpress.com. Contatos P\palestras- 17-99186-7015.

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