E tem gente que não acredita em feitiçaria

 feitiçaria

 

Como a política nacional está fervendo, a Operação Lava Jato sendo operada por ministros e políticos que não querem ver seus nomes envolvidos e a presidente está voltando de Nova Iorque onde discursou na ONU, neste artigo vou continuar a contar causos da minha amada Amazônia. Política e pizza se fundem mesmo na atualidade brasileira, pelo menos histórias educam e confundem as mentes dos incrédulos e fascinam os que acreditam, no fundinho de nossos cérebros, também tememos o desconhecido.

Este fato se passou em meados de 80, quando o governo militar construiu a BR-319 que liga Porto Velho a Manaus, as capitais de Rondônia e Estado de Amazonas, respectivamente. Esta construção foi a mais cara da história mundial. Ela foi refeita umas quatro vezes. A terra para o suporte do leito carroçável era tratada a quente e viajava em caçambas uns 500 quilômetros até o local onde seria usada.

A Região Amazônica é plana e baixa, é também muito alagadiça. Por isso o 5° BEC – Quinto Batalhão de Engenharia do Exército – para fazer a base da estrada, usava colocar no leito sacas lacradas de cimento para construir uma base sólida e, que depois de solidificada, era coberta por aterro, cascalho, brita e a camada de asfalto para concluir. O trabalho do BEC era muitas vezes superior à das empresas privadas, que faziam outros trechos da rodovia.

Uma empresa de ônibus pioneira no Território Federal de Rondônia era a Viação Mota, que ia até São Paulo passando por Porto Velho e Cuiabá. No “inverno amazônico” a viagem durava um mês de Porto Velho a Cuiabá, devido os atoleiros.

O ônibus que fazia a linha até Manaus era dirigido por dois motoristas, o Mário e o Joaquinzão. Este era um homem de meia idade, alto e forte, sempre alegre, mas sem desconfiômetro algum. Não sabia quando uma brincadeira estava agradando ou não, mas ia até o fim mesmo que os ouvintes não gostassem. A BR-319 chega numa localidade chamada Careiro e, dali até Manaus os veículos são obrigados a seguirem numa balsa enorme.

Certo dia o ônibus do Joaquinzão já estava dentro da balsa e parado para a travessia, quando ele notou na parte traseira do ônibus, uma velha índia agachada ao lado de uma bacia com água e vários peixes matrixãs que ela descamava. Joaquinzão percebeu que ela estava com a cabeça na frente da saída do escapamento e disse pra si mesmo, que iria dar um susto na velha índia.

Sem medir as consequências, foi até a direção, sentou no banco do motorista e pedalou várias vezes o acelerador e ligou o motor. Foi um estrondo enorme que jogou fumaça muito preta e com violência na cabeça da velha índia, que caiu ao chão.

Os passageiros riam pra valer da velha, e Joaquinzão ria tanto, que saia lágrimas de seus olhos e segurava a barriga, tal era seu prazer com a desgraça da velha senhora índia. Esta se recompôs  e falou várias palavras num dialeto indígena que ninguém entendeu, e tanto Joaquinzão quanto os demais continuaram a rir dela.

Quando o ônibus ligou o motor para atracar no Careiro, pois ia para Porto Velho, a velha foi até a porta e falou para Joaquinzão que estava no volante: “esta foi a última maldade que o senhor fez na vida, seu moço.” Joaquinzão não deu bola para a velha, riu bem alto acelerou o ônibus  se mandando a toda velocidade pela rodovia. Ele e Mário se revezavam no volante, quando um cansava, o outro pegava ao volante.

Já dentro da balsa, que fazia a travessia do lendário rio Madeira, na periferia de Porto Velho, Joaquinzão estava no volante quando sentiu dores lancinantes no peito e, antes que recebesse qualquer socorro do colega e dos demais passageiros, morreu no chão do corredor do ônibus que dirigia com mórbido prazer. Todos que ouviram as palavras da velha índia passaram a acreditar em feiticeiras. Esta história é verdadeira, podes crer! Acredite se quiser! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com – Blog: https:\\kfouriamazoniawordpress.com – Contatos P\palestras: 17-99186-7015.

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