Do céu ao inferno num relâmpago!

inferno

 

Tudo caminhava bem no país das várias maravilhas. Mais de sete eu garanto que nele há. O operário, humilde e trabalhador batia o ponto nas indústrias que funcionavam a todo vapor. Faziam isto sistematicamente para cumprir a jornada de trabalho e rever a família com alegria ao cair da noite. Não importava quantos ônibus ou trens haviam de pegar para chegar ao aconchego do lar, abraçar e beijar a mulher e os filhos.

Na marmita que operários levavam para o trabalho, além do arroz e feijão tradicional do brasileiro, ia também uma saladinha, um ovo frito e pelo menos um tipo de carne, cozida ou em bife. Os que se alimentavam nos restaurantes das empresas, também se alimentavam bem com suas bandejas com refeições variadas.

O povo deste país de faz de conta, sempre foi muito feliz, houve época em que ninguém sabia ou conhecia a palavra “inflação”, mas mesmo assim, era um povo alegre que prestigiava a família, as religiões e as culturas regionais. Amante do futebol até hoje, do melhor carnaval do mundo, da cachaça transformada ou não em caipirinha, de mulheres bonitas, de rios ou praias.

Mesmo no governo militar, quem não se envolvia em política contra o sistema, vivia e fazia o que desejava desde que cultuasse a lei, a ordem, a família e a tradição. Iam onde queriam. Nunca me considerei de esquerda ou de direita, politicamente falando. Mas como homem pragmático que sou, gosto tudo certinho, cada coisa em seu devido lugar.

Com a chegada da democracia, todos eram  esperançosos de que a Ordem e o Progresso fariam nosso país se tornar pelo menos a Terceira Potência Econômica mundial. Afinal, o Brasil é considerado o país mais privilegiado do planeta. Temos todos os recursos naturais do planeta (matéria prima) para não depender dos outros países. Dois exemplos: “Japão e China,” não possuem 10% das matérias primas que exportamos para eles e, mesmo assim, estão em segundo e terceiro lugar na escala mundial de potências autossustentáveis, e nós estamos perdendo o sétimo lugar.

Com a volta da democracia, o político brasileiro mostra desde o seu reinício, que não sabemos praticá-la com responsabilidade. O exemplo é o Congresso Nacional e os governantes que uma massa de milhões de eleitores provam que não estavam preparados para escolher a pessoa certa, para o lugar certo. Isto é prova do caos político e econômico que vivemos, disse minha querida Santa Tambura, lá dos peraus da minha distante e amada Amazônia.

Desde que Cabral aportou no Brasil, tivemos, se não me falha a memória, pouco mais de 35 anos de democracia. Então não é com falta de tradição e povo sem cultura, que vamos acertar na mosca e nos tornarmos uma primeira potência só porque temos o essencial para vivermos sem pedir esmola a outras nações mais desenvolvidas, disse o sábio seringalista Sissi lá dos cafundós das selvas rondonienses.

Por outro lado, o Zé Praxedes, o filósofo lá das entranhas da Amazônia também, foi além. Disse ele, que no Brasil não adianta plantar muito e exportar para angariar bilhões de dólares se não temos administradores e políticos éticos e honestos para fazer uma distribuição de renda transparente.

O filósofo das selvas foi além ao afirmar ainda que, quando Deus criou o mundo, foi chamado a atenção por São Pedro por que Ele deu tanta riqueza a este país e pouco para outros. Deus teria respondido: “Tu vais ver o povinho que vou colocar lá!” É, agora eu entendi, exclamou triste o filósofo das selvas tropicais brasileiras.

Quando vamos recuperar o valor da velha família que educava seus filhos em casa, do direito à propriedade, do direito de vivermos como quisermos desde que não extrapolamos as leis. Quando não éramos roubados por políticos e governantes corruptos, quando não sabíamos o que era inflação e cozinhávamos tudo com banha de porco e ninguém falava em colesterol, não vivíamos melhor?

Eu vi num filme, ou li uma frase em um livro, a memória às vezes nos prega peças, mas que dizia assim: “um sacrifício prolongado faz o coração endurecer; é preciso esperar o vinho respirar, envelhecer para ele ganhar cor e sabor, caso contrário não irá agradar aos paladares exigentes.”

O vinho é milenar, será por isso que ele, quando envelhece fica melhor, ou é mito? E a democracia? Platão já falava sobre ela, não é bom o brasileiro aprender mais com os sábios do passado, melhorar os ensinamentos nas escolas e dar mais cultura ao povo para que ele possa escolher melhor seus dirigentes?

Vou continuar tomando meu vinho nacional mesmo, deixemos o francês para os políticos.  Enquanto isso, o brasileiro vai do céu ao inferno, num relâmpago!  Não importa que o circo pegue fogo. Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com Blog: https:\\kfouriamazoniawordpress.com – Contatos P\palestras: 17-99186-7015.

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