Tributo a um empreendedor rio-pretense

verdi

 

A bela e elegante Rio Preto está de luto, não importa para mim se o prefeito decretou ou não luto oficial. O passamento de Waldemar de Oliveira Verdi, a quem eu considerava um dos maiores, se não o maior empreendedor de nossa cidade e região, quiçá do país, nos entristeceu muito.

Waldemar foi um idealista, empreendedor nato, guerreiro, sempre teve uma visão à frente de todos, dignificava a palavra “empresário,” como poucos. De revendedor de uma marca de caminhões, seus horizontes foram se alargando do tamanho do Brasil e, passou a ser o pai de uma família imensurável que dignificava não apenas o homem de visão futurista que era, mas a cidade que representava e implantava sementes de seu idealismo em várias regiões da nação.

Não importava se estivéssemos em Vilhena ou em Porto Velho, os dois extremos do Estado de Rondônia, ou na capital mato-grossense, Cuiabá, ou em Belém do Pará. E também em vários outros pontos do país.

Sempre víamos a marca criada por Waldemar Verdi, como ele gostava de ser chamado, afinal este nome se tornou sua marca empresarial renomada no país, e também uma fonte onde se bebia empreendedorismo, integridade moral, conhecimento de vida e passava ao interlocutor uma gama de cultura que impregnava sabedoria salomônica, se não platense também.

Conheci bem a família Verdi, tive o privilégio de conviver com Manoel, Deco Verdi e outros da família, e na época eu me sentia como se fosse um deles. O saudoso Manoel Verdi, quando eu ainda era adolescente, me levava para Araçatuba e outras cidades, em fazendas da família e, juntamente com outro saudoso amigo com quem trabalhei 10 anos, advogado Geraldo Fortes. Tanto os Verdi como o doutor Geraldo eram muito ligados e, neste entrevero amistoso, de cordialidade e negócios, cresci ouvindo todos eles dando aulas sobre comércio e vida com dignidade e classe.

Mas quando chegava a vez de Waldemar Verdi dar explicações, parecia um momento mágico, idêntico com o que acontece diariamente na floresta Amazônica, quando o Uirapuru canta. Tudo fica em silêncio para ouvir o melhor dos melhores, seja cantando, ou dando aulas empresariais e, uma vez ele me falou muito em Comércio Exterior, afirmando que seria uma poderosa arma para o futuro das empresas brasileiras.

Quando, apesar de jovem, já havia feito uma faculdade, fui para Brasília servir ao Exército Brasileiro. Depois fui para a Amazônia trabalhar e servir em alguns países da América do Sul e nas ilhas caribenhas. Fiquei em Caracas durante seis anos onde aproveitei para fazer faculdade de Comércio Exterior juntamente com o amigo José Lopes, gerente do Banco do Brasil na capital venezuelana.

Mas o que ouvi de Waldemar Verdi, na minha adolescência, calou fundo e graças a ele não parei, não fiquei quieto, corri o mundo e atendi ao chamado de meu pai Abdala Kfouri, que além de engenheiro agrimensor, era também um sábio matemático que falava 13 línguas fluentemente e lia livros de 300 anos ou mais, que, hoje estão na Biblioteca Nacional do Líbano, levados pelo amigo e pároco Samuel Mattar da Igreja Ortodoxa de Rio Preto. Meu pai disse para mim certa vez: “Tu vai correr o mundo, não importa onde estiver sempre honre meu nome, como eu honrei o nome do meu pai e ele honrou o nome do pai dele”.

Algo me diz que meu velho guru Waldemar Verdi teve seu passamento apressado com os acontecimentos que assolam seu país e, ele como empreendedor, não entendia como um gigante colossal como o Brasil, dormia em berço esplendido e  podia estar vivendo tal crise,  e sendo conduzido por pessoas inabilitadas se, para crescer, basta ser íntegro, ético e empreendedor como ele foi e ensinava.

E isso, falou também minha querida Santa Tambura e meu amigo seringalista Sissi que vivem nos cafundós das selvas amazônicas. O grande empresário rio-pretense preferiu ir ensinar como se faz para crescer com honestidade e caráter que já vem do berço, lá juntinho do Pai Eterno de onde ele vai continuar amando tudo aquilo que vivenciou junto com seus familiares e amigos.

Réquiem por Waldemar Verdi, o empreendedor rio-pretense! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com Blog: https:\\kfouriamazoniawordpress.com – Contatos P\palestras: 17-99186-7015.

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Um comentário sobre “Tributo a um empreendedor rio-pretense

  1. Parabéns, bonita homenagem!!! Como o Sr. mesmo escreveu em outro post adiante a essa postagem; não temos muitas pessoas em quem nos espelharmos. O sr. conseguiu transmitir com louvor o caráter do homenageado. Forte abraço e que nosso bom pai vos guarde em seu santo amor.

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