A Amazônia foi salva por quem?

selva

Li e não aprovei a reportagem de a revista Veja em sua edição 2448 de 11 de outubro recém-passado, em que o biólogo norte-americano Thomas Lovejoy narra em sua pseuda, para mim, atividade em terras amazônicas desde 1965. Acho que são falácias e atividades em que ele almejava tudo, menos salvar a bela e luxuriante selva tropical mais admirada do planeta. A narrativa é uma bela matéria jornalística que revela a cobiça dos estrangeiros pela Calha Norte, é só prestar atenção nas entrelinhas.

Até minha Santa Tambura que tem somente dois neurônios, sabe desde priscas eras, que os norte-americanos nunca protegeram terras de ninguém, pelo contrário, invadem na força ou em contratos leoninos e, depois, tiram delas tudo que podem, desde madeiras de lei, ouro, diamantes, urânio, estanho, e compram a mídia mundial para dar a sua versão como verdadeira.

Quando cheguei na Amazônia, há 45 anos passados, para trabalhar, só com a cara e a coragem e, muita vontade de ajudar os povos tradicionais daquela bela e luxuriante selva verdejante, ela era chamada simplesmente de “inferno verde” como ele diz na matéria. Por que o biólogo estrangeiro não mandou um repórter brasileiro ir fazer “in loco” uma reportagem  para levantar os dados de sua manutenção sob a bandeira brasileira, desde a ocupação dela pelas Forças Armadas Brasileiras sob o pretexto de “integrá-la para não entregar”? A Calha Norte não foi internacionalizada como queria dona Margareth Thatcher, a ilustre Dama de Ferro que golpeou e derrotou a Argentina pela posse das Ilhas Malvinas, quando ainda era a primeira ministra da Grã Bretanha. Ela queria que o Brasil desse a Amazônia em troca da nossa dívida externa, simplesmente isso.  

O mundo inteiro queria tomar a Amazônia Brasileira, um jornal de Miami Beach, chegou a publicar na internet em meados da década de 80, o mapa do Brasil sem a Amazônia e, distribuiu cartilhas na sua rede escolar afirmando que a Amazônia pertencia a eles por direito devido sua ocupação por vários países que não tinham condições de preservá-la. Tanto eu quanto o seringalista Sissi ficamos furiosos e propaguei esta matéria na imprensa da Região Norte e em Brasília foi lida no Congresso Nacional. Estranho agora um biólogo que está usufruindo das benesses da floresta tropical mais furtada, roubada e saqueada do planeta, inclusive pelo seu país, vir posar de mocinho como se fosse o Indiana Jones ou o saudoso astro do faroeste John Waine.

 Perguntem aos índios e caboclos ribeirinhos se conhecem e o que acham desse biólogo e, se ele foi a Rondônia ou Acre fazer a defesa de suas matas, ou levar remédio e comida para os Povos Tradicionais das Florestas Tropicais?

É bom ficar dentro de uma tenda com ar-condicionado movido a grupo gerador. Mas eu simplesmente, dormia em redes amarradas nas árvores e peguei apenas 59 malárias e recebi uma extrema unção em 1974 feita por um padre camboniano, famoso em Porto Velho, pelas suas obras e que se chamava Padre Mário do Bairro Areal.

Eu e meus colegas jornalistas de Rondônia, todos correspondentes dos grandes jornais do sudeste, entre eles Montezuma Cruz, Lucio Albuquerque, Jorcêne Martinez e tantos outros, defendíamos o Nortão na mídia, com unhas e dentes, arriscando nossa pele diariamente contra grileiros de terras, madeireiros e garimpeiros ilegais que enganavam os índios, acobertados por Ongs e falsos religiosos. Estes, em sua maioria, ensinavam inglês e tiravam sangue  dos índios para levantar seus DNAs em troca de pedras preciosas e ouro.

Nunca vimos estrangeiros na Amazônia com boas intenções. Se duvidam perguntem ao pajé Miratinga dos Uru Eu-Uau Uau lá na Terra Djaru Uaru, nas selvas rondonienses.

Querem um culpado pelos 15% do desmatamento que há na Amazônia Legal? Conversem com o ex-governador de Mato Grosso Blairo Magge e com a senadora Katia Abreu do PMDB de Tocantins, atual ministra da Agricultura do governo Dilma. Sem esses dois, a Amazônia estaria mais inteira e as matas ciliares dos rios e igarapés de todo o país estariam ainda com 30 metros de matas em suas margens evitando o assoreamento em milhares de olhos d’água que secaram. Não precisamos de estrangeiros para nos ensinar como proteger nossa biodiversidade na Amazônia, precisamos de leis que sejam cumpridas e políticos sérios em nosso país! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com Blog: https:\\kfouriamazoniawordpress.com – Contatos para palestras: 17-99186-7015.

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