Querem comparar Cunha com Maquiavel, nem em sonho!

Leitores me ligaram e alguns deles equipararam o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha que vem criando uma confusão danada na política nacional com esta balburdia feita em conjunto com os personagens governamentais petistas. Acho que erraram de personagem.

Eles devem estar se referindo ao satânico assessor político Rasputin, de governos cesaristas russos, em priscas eras. Este sim, era satânico. Minha Santa Tambura leu sobre as maldades de Rasputin e fez até o sinal da cruz. Cruz credo! Disse a santinha lá da selva amazônica.

Ai outro leitor, dentre a meia dúzia que tenho, queria saber quem era Nicolau Maquiavel e fui buscar nos compêndios dos que nada sabem, mas  têm vontade de passar adiante o que aprendeu na escola e na vida.

Nicolau Maquiavel foi importante historiador, diplomata, filósofo e estadista, além de importante político italiano. Ele nasceu em Florença em 3 de maio de 1469 e morreu onde nasceu em 1527.

Maquiavel foi um importante cientista italiano na época do Renascimento. Costumamos dar sinônimos pejorativos a atos usando a expressão “isto é maquiavélico”. Nada e tudo a ver. Como cientista político ele teceu teses importantes até ser exilado durante oito anos e só retornou com a volta da família Médice ao governo de Florença.

Eduardo Cunha deve ter na cabeça o que Maquiavel jogava fora depois de se alimentar. O pensamento de Maquiavel tem até hoje, é de uma importância ímpar nos estudos políticos, pelo fato de ele estabelecer uma nítida separação entre a política e a ética, bem como deixar de lado a antiga concepção da política herdada da Grécia antiga, que visava compreender a política como ela deve ser.

O cientista italiano preferia estudar os fatos como eles são na realidade. Nesse sentido, sua obra teórica constitui uma reviravolta da perspectiva clássica da filosofia política grega, pois o filósofo partiu “das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deve viver”. Isso é política moderna até hoje, coisa que os políticos brasileiros ainda não aprenderam.

Na época, a teoria de Nicolau Maquiavel desmascarou as pretensões morais e religiosas em matéria de política, fugindo, segundo os estudiosos europeus, em incorrer em crimes contra o Vaticano e ser julgado pela Inquisição religiosa, que a Igreja Romana pregava na ocasião e mandava enforcar quem ela julgava estar a traindo.

Mas ao contrário do que equivocadamente se difunde, não pretendia criar um manual da tirania perfeita. Desta fase de sua vida, é que vem o termo “tão mal como Maquiavel”.

Maquiavel escreveu várias obras, mas a mais difundida até hoje é “O Príncipe” em 1513, a qual dedicou ao seu benfeitor da Família Médice, que o fez retornar do exílio e se tornou diplomata no Vaticano e  na França também. Ele foi casado com Marietta di Luigi Corsini com quem teve quatro filhos e duas filhas. Ele serviu a Lourenço de Médice, que, com fim da República, comandou a Itália por muito tempo.

Nicolau Maquiavel morreu em 21 de junho de 1527, portanto, com 58 anos e, segundo o seringalista Sissi, o senhor Eduardo Cunha já está com a data de validade vencida e continua dando trabalho a todo o país. O filósofo das entranhas das selvas amazônicas, Zé Praxedes, concordou com o Sissi em gênero, número e grau. Viu! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista.

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