Ricos tem privilégios na Justiça, diz coordenador da Lava Jato

O artigo de hoje é baseado na entrevista que o coordenador da Operação Lato, procurador federal Carlos Fernando Lima dos Santos, deu a TV Folha no Dia Mundial de Combate à Corrupção editado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 9 de dezembro do ano em curso.

A princípio, disse ele, aquilo que todos os brasileiros sabem, criticam, mas os responsáveis pela criação das leis não atendem os apelos populares, porque, na verdade a responsabilidade da criação delas (como o articulista vem martelando há anos), é de responsabilidade dos legisladores, ou seja, do Congresso Nacional. Até a ignara Santa Tambura, lá das entranhas da pirateada e abandonado Floresta Amazônica, que é depredada de suas riquezas diariamente, sabe disso há séculos.

E, somente algumas vezes a Justiça resolve uma pendenga aqui e acolá, como aconteceu recentemente no município de Cacoal, na Reserva Indígena, Cintas Largas (foto acima), em Rondônia, onde se fechou e prendeu criminosos que contrabandeavam os diamantes da maior mina brasileira,  e que é uma das grandes cobiças das empresas que detém a industrialização de jóias de alto preço e luxo nas altas rodas da granfinagem internacional.

Como participei da criação da cidade de Cacoal, no início da década de 70 e estive várias vezes na reserva onde conheço, líderes e tuxauás (caciques) e participei da reportagem por ocasião da carnificina onde os índios chacinaram 29 garimpeiros, nesta mina clandestina, por causa de desentendimento na hora de se fazer o acerto das pedras. Foi mais um horror acontecido no interior da mais bela, rica, e imensurável floresta tropical do país, que regulamenta até a temperatura e distribuição de chuvas no planeta.

Todavia, as nações fazem de conta que vão proteger a floresta, mas continuam a depredando com os governos brasileiros que apoiaram o agronegócio e a derrubada dela e até das suas matas ciliares, assoreando os rios e igarapés, diminuindo o volume de água que dantes era o dobro do que existe hoje, principalmente no Sul e Sudeste.

Mas voltando ao tema principal deste artigo que foi a entrevista do coordenador da Operação Lava Jato, procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima, à TV Folha, dia 9 recém passado, disse ele ainda ao entrevistador, “que a princípio no Brasil, o que ocorre é que os processos penais para os ricos é um faz de conta”. Segundo ele, o principal problema para a aplicação da lei é o “número infinito de recursos que postergam a sentença definitiva sobre o caso devido, este absurdo de brechas que a lei permite aos advogados de defesa”.

O seringalista Sissi e o filósofo Zé Praxedes, lá dos cafundós da querida, bela, verde e luxuriante Amazônia, só se acalmaram um pouquinho (só um tiquinho mesmo), foi quando ele afirmou que o Ministério Público Federal está propondo 10 medidas para combater o tempo de julgamento. Sem dúvida que se isto for implementado, muitos ricos irão antes para a cadeia se juntar aos pobres e negros, pardos, vermelhos, amarelos e rosas que lotam os presídios brasileiros, até mesmo por causa de uma pequena receptação. Enquanto os milionários políticos de todos os partidos do Brasil recebem bilhões de reais da corrupção que quebrou a nossa Petrobras e, em seguida vão ao TSE, como disse recentemente à mídia nacional, o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, e a registrou no TSE, como se tivessem recebido como doação legal esta alta grana para campanhas eleitorais. Fica tudo bonitinho para os políticos, enquanto os pobres receptadores pagam a pena em cadeias superlotadas e fétidas como privadas de pensão à moda antiga e, em sua maioria, foram transportados com os antigos caminhões de paus-de-arara que vinham abarrotados de trabalhadores nordestinos para o Sudeste em busca de trabalho. Isso sim é uma ignomínia!

Como é bom ser político num país de eleitores ignorantes como o nosso, onde eles trocam seus votos por cesta básica, telhas, dentaduras e até pela peruca da vovozinha. Já repeti isto várias vezes. Vamos acabar ou diminuir as tais brechas legais que os advogados de defesa se utilizam nos processos dos ricos, caso contrário, aquele velho jargão popular do passado não tão distante que afirmava “que no Brasil, só vai para a cadeia, pobre, puta e negro”, vai continuar sendo uma realidade. E eu acrescentaria também, os casos de ladrões de galinhas e do trabalhador desempregado pego furtando uma lata de leite em pó num supermercado, que ficou um ano preso e seu filhinho morreu subnutrido. Muda Brasil, ou nós o teremos que mudá-lo à moda antiga? Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com – Contatos P\Palestras: 17-99186-7015

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