Nézin Manguaça, o salvador da pátria!

O sábio seringalista Sissi, acompanhado do filósofo Zé Praxedes e do pajé Miratinga, da tribo dos Uru Eu Uau Uau, num conclave que realizavam sob a frondosa samauma, na beira de um igarapé, cercados por índios e caboclos da Amazônia, discutiam o futuro da região em que vivem, principalmente o seu futuro que corre risco imediato por causa da sua depredação por grileiros de terras, madeireiros, garimpeiros e grandes latifundiários que implantam grandes lavouras e somente incrementam o agronegócio e não preserva a biodiversidade da Calha Norte.

A palavra estava com a Santa Tambura que, enfurecida com a depredação da terra linda e luxuriante da sua região, perdeu a compostura, e pedia aos companheiros para criarem um “Exército da Salvação Amazônica”, a fim de fazer a proteção do Meio Ambiente em que nasceram e vivem sem depredá-la. Ela achava que devia chamar a Madame Min, para fazer uma poção mágica, que paralisasse todos os predadores da mais bela floresta tropical do mundo, que segundo ela, ficariam parecendo estátuas de sal como havia lido um dia no seu passado, numa fábula na escola da tribo em que fora criada.

Os componentes do conclave ficaram perplexos com a atitude da sua amiga Santa Tambura que, nunca dera palpite em nada, sempre procurando ajudar a todos, sem fazer nenhuma pergunta e, agora, de repente fica enfurecida e fala coisas dantes nunca ditas em defesa da sua terra brasilis. Tanto o Sissi, quanto o filósofo Zé Praxedes e a indiaiada arregalaram os olhos, não acreditando no que haviam presenciado.

Mas, nem tudo havia terminado. Haveria ainda, para o sábio Sissi e o filósofo Zé Praxedes, mais surpresa para acontecer. E, aconteceu mesmo!

Num repente, o Nézim Manguaça, que estava quietinho num canto bebericando sua terceira poção de pinga de cauim e saboreando uma meia dúzia de matrixãs fritas, qual um pai de santo tomado pelo espírito do Chico Bento, pula no meio da roda e, parecendo que jogava capoeira de tão rápido, passou a vociferar em alto e bom som o seguinte:

“Acabou a roubalheira e a depredação da nossa floresta. Agora vai ter gente de vergonha mandando neste país, vou para Brasília mostrar a solução e salvar a pátria amada,  roubada por políticos e grandes empresários. Eu, Nézim Manguaça tenho a solução, basta eu assumir aquela joça do Planalto como presidente ou ditador mesmo, que as coisas vão funcionar, só não pode faltar “gasolina” na minha barriga, para eu continuar elétrico com meus parcos neurônios ligados. Aí vocês podem ter certeza que vou colocar a locomotiva descarrilada chamada Brasi  novamente nos trilhos, ou eu não me chamo Nézin Manguaça, o cabra macho da Amazônia”!

Atônitos, sem saber o que pensar ou fazer, todos os caboclos, juntamente com o seringalista Sissi e o filósofo Zé Praxedes, resolveram encerrar a reunião e passaram a comer peixes fritos e bebericar a pinga feita artesanalmente de mandioca, a predileta de Nézim e da caboclada da mais bela e luxuriante floresta tropical do mundo.

O pajé Miratinga deu um arroto de prazer, jogou farinha de puba na garganta para ajudar o peixe a descer, sorriu e deu outro gole de pinga feita no alambique do Nezin Manguaça, o mais novo Salvador da Pátria. O Brasil estava salvo! Vou! Fui! Inté

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. Kfouriamazonia39@gmail.com Blog: https:\\kfouriamazoniawordpress.com – Contatos P\Palestras: 17-99186-7015.

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