Que o novo ano seja verde como a esperança

Sei que é difícil para o brasileiro esquecer o ano de 2015. Se pudesse, faria como os mágicos, estalando os dedos para fazer algo desaparecer ou aparecer. É claro que eu faria tudo de ruim que houve desaparecer e, junto com a mágica, pediria ao seu autor para levar também todos os políticos que fizeram de 2015 o pior ano depois do governo dos militares.

A Santa Tambura pediu também para o mago que conseguisse fazer esta mágica e levasse para outra dimensão, tipo purgatório (como ela é boazinha!), todos os componentes dos partidos do PT, PSDB, PMDB e os seus aliados, juntamente com os ladrões da Petrobras, estes, poderiam ir direto para o inferno.

Ah, minha santinha e o sábio seringalista Sissi pediram ainda para o mago apagar mesmo do calendário o ano de 2015, que é para não dar nós nos neurônios dos brazucas, pois eles já sofreram demais e, recordação ruim, dá enxaqueca e atrai coisas maléficas e, pior do que houve neste maledeto ano, ninguém quer mais. Falou e disse! O macaco está certo!

Que festival de besterol! Ok, pensando bem, é melhor do que ficar lamentando leite derramado, a carne que não conseguimos comprar, o carro que não deu para trocar, tampouco a viagem à praia foi realizada, e nem pagar a promessa feita, porque o emprego foi perdido e a fábrica faliu. Tudo bem, brasileiro é assim mesmo, otimista por natureza, que beleza!

O filósofo Zé Praxedes e o pajé Miratinga, da tribo dos Uru Eu Uau Uau, lá dos cafundós da linda e sempre saqueada Amazônia, discutiam política ambientalista na beira de uma fogueira à margem esquerda do rio Porequete, onde assavam uma bela jatuarana e a degustavam com farinha d’água, enquanto ouviam dolentemente o roncar com vapores etílicos no ar do Nézim Manguaça, em sua puída e velha rede.

Depois de uma ou duas doses de pinga de cauim, desistiram de discutir política de proteção a mais linda floresta tropical do planeta, ou seja, a terra onde estavam pisando e tirando o sustento de suas famílias.

É que o pajé Miratinga, lembrou que dona Dilma, a presidenta, só prometeu que poderia haver desmate zero depois de 2030. Aí o filósofo Praxedes deixou rolar uma lágrima, deu outro gole de cauim, colocou um naco do peixe frito junto com a farinha e deixou que tudo se misturasse e descesse goela abaixo. Igualzinho como os políticos que ocupam o poder fazem com a massa ignara, mas esta não deixa uma nação sem comando descer ladeira abaixo, ou cair num precipício, ou afundar como um velho navio de guerra torpedeado no Mar das Tormentas… Essa massa ignara é brava, destemida e vai à luta!

Altivo, ereto como um jequitibá ou um frondoso mogno, o filósofo das selvas levantou, bateu na velha calça rota para tirar a poeira, olhou a bela paisagem à sua volta, se virou para o pajé Miratinga e exclamou ufano: “Enquanto houver um homem na Amazônia, uma árvore e um igarapé, nós vamos lutar para sua preservação, com ou sem Brasília, com políticos ou sem políticos, pois sabemos que o país inteiro vai abraçar nossa causa!”

– Sabe meu querido pajé, hoje eles querem o agronegócio, mas quando não tiverem mais ar puro para respirar, nem peixes saborosos em suas mesas, e os mares engolindo suas cidades, todos vão abraçar nossa causa e salvar a Amazônia, não esqueça índio velho, que ela ainda é, e sempre será o pulmão do mundo, por isso, todos os brasileiros querem um 2016 verde como a “Esperança” e linda e pura como nossa floresta! O Nézim Manguaça acordou, se virou em sua velha rede, deu um arroto e exclamou: Não entendi direito o que cê falô meu guru, mas tá apoiado!  Nihil est clarior! Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalísta, escritor e ambientalista. Kfouriamazonia39@gmail.com. Blog: https:\\kfouriamazonia.worpress.com – Contatos P\Palestras: 17-99186-7015.

 

 

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