Amazônia, terra da cobiça e da pirataria

Quem conheceu a Calha Norte há meio século passado, entende por que hoje há tanta gente querendo defendê-la dos abutres que lá permeiam, saqueando-a e acabando com sua biodiversidade para enriquecer.

Tempos passados, nesta época que nos referimos, não havia a rodovia Transamazônica, a Rodovia do Estanho e nem a Porto Velho-Manaus. Tudo era feito por via rios e igarapés. Lembrou o velho e sábio seringalista Sissi, que havia os regatões que abasteciam os ribeirinhos com querosene, açúcar, café, sal, óleo de cozinha, fumo e papelinho pra enrolar o tabaco e fazer o cigarro artesanalmente. A pólvora, chumbo e espoleta eram imprescindíveis para o ribeirinho abastecer sua família com carne, lembrou nossa amiga Santa Tambura.

Todavia, não faltava material para pescar peixes em quantidade no verão e salgá-lo. O excesso era vendido ou trocado por mercadorias com os mercadores dos regatões que eram barcos maiores e seus proprietários eram chamados de biscateiros. Assim era a vida tranquila dos povos tradicionais que sobrevivem até hoje nas beiras dos grandes rios, lagos e igarapés. Assim lembrou o filósofo Zé Praxedes que está até hoje nos peraus daquela vasta, bela e luxuriante floresta verde e gotejante ajudando sua gente.

No entanto,  naquela época a maior floresta tropical do planeta era pouco visitada e conhecida apenas por fotos nos demais centros do país e do planeta, e sua biodiversidade  era protegida naturalmente.

Entretanto, quando as grandes nações passaram a cobiçá-la por suas riquezas minerais, flora e fauna, os militares que haviam tomado o Poder em 1964, resolveram abri-la e povoá-la para não entregá-la, por isso abriram as estradas que apenas piorou a situação.

Havia um projeto chamado Calha Norte, que deveria povoá-la pelas fronteiras com os países limítrofes, ou seja, com as cidades nas fronteiras, a defesa da Amazônia seria feita normalmente pelos cidadãos brasileiros, polícias civil, militar e federal que estariam consolidadas nestas cidades fronteiriças.

Ao invés disso, os militares abriram a BR-230 (Transamazônica), cortando o país pelo meio, desde Belém até a cidade de Boca do Acre na divisa dos Estados do Amazonas com o Acre. E construíram umas quatro vezes a BR-319 (Porto Velho-Manaus), a rodovia mais cara do planeta construída até hoje e, sempre inacabada.

Para fazer sua base de rolamento, o Exército, através do seu 5º Batalhão de Engenharia e Construção e a empreiteira Andrade Gutierrez, usaram milhares de sacos de cimento fechados para formar um tapete no qual depois jogavam cascalhos, aterros, terras que viajavam uns 500 quilômetros até chegar em determinados trechos onde só havia lamaçal.  Esta foi a saga que o mundo curtiu no governo militar.

Todavia, a ganância dos próprios brasileiros e o despreparo, falta de patriotismo de políticos e governantes, não a protegeram depois que os militares deixaram o poder. Assim a maior floresta tropical do planeta, considerada o pulmão do mundo, está inexoravelmente sofrendo uma diminuição catastrófica por causa de sua depredação e provocando o efeito estufa e o degelo.

Onde anda o patriotismo e o nacionalismo neste país sem governo, sem Congresso Nacional, onde todos apenas querem enriquecer às custas de um eleitorado inculto que ainda vende seus votos por cestas básicas, perucas, dentaduras e panelas de pressão? Todos sabem onde estão os responsáveis… Tomara que o Poder Judiciário dê jeito na situação que vivemos hoje. Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. kfouriamazonia39@gmail.com – Glog: https:\\kfouriamazonia.wordpress.com – Contatos P\Palestras: 17-99186-7015.

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