Falta recurso para política indígena, diz índio Macuxi

Lá de Boa Vista, capital de Roraima, recebi informações do índio Antonio Venâncio Macuxi, da aldeia Raposa Serra do Sol, região de grande movimentação jurídica dois anos atrás, com os plantadores de arroz que foram despejados da terra que produzia e matava a fome de índios e caboclos que viviam melhores que hoje. Foi um grande entrevero jurídico por causa das plantações de arroz feitas em terras antes áridas e de vegetação seca e rasteira.

Venâncio Macuxi explicou que a devolução das terras a sua gente foi um direito real, só que hoje os seus irmãos que trabalham para fazer a mesma terra produzir, como antes os plantadores brancos faziam, virou lenda, já que na verdade não estão produzindo nem para o sustento da aldeia.

Disse também que faltam recursos do Governo Federal via Fundação Nacional do Índio – FUNAI –  por isso muitos irmãos de sangue recorrem à saúde em Boa Vista onde o atendimento é precário e índio é discriminado.

É por isso, salientou Venâncio Macuxi, que parte da etnia yanomami prefere ficar do lado venezuelano onde são mais assistidos pelos órgãos governamentais. Outros grupos que não querem contatos com os brancos preferem viver isolados na fronteira entre os dois países.

O filósofo Zé Praxedes e o seringalista Sissi, ambos criados nas selvas amazônicas entre o Sul do Estado do Amazonas com Rondônia e, na divisa do Acre com o Peru, trabalharam por lá muitos anos e sabem que é por isso que até hoje existe índios isolados que não querem contato com a raça branca. Para estes índios isolados, os brancos são maus e violentos, e transmitem doenças e não respeitam suas tradições.

Há questão de uma década em Rondônia houve uma polêmica com contatos feitos com índios isolados na região de Alta Floresta D”Oeste, onde agricultores e madeireiros tentaram desmentir a FUNAI por causa das terras e da madeira. Usaram a mídia dando informações que a FUNAI inventou um índio fotografado dentro de um buraco para proteger a área de mata virgem.

Em 2014, na divisa do Acre com o Peru, ocorreu vários entreveros entre índios que vivem isolados dos dois lados das fronteiras.  Nesta ocasião o geógrafo da FUNAI Carlos Lisboa Travassos fez contato com sete ou oito jovens de uma etnia chamada xanane,  que tinham entre 12 e 21 anos. Os indígenas eram saudáveis e acreditavam que os não índios eram maus e violentos, mas assim mesmo vieram em busca de produtos industrializados, especialmente os facões, facas e panelas.

Estes índios pegaram gripes e foram curados, depois houve um contato maior no posto da FUNAI, no rio Envira, e, desde 1992 este órgão de proteção ao indígena vem cuidando deles, apesar dos poucos recursos que tem, mas a abnegação e o esforço dos funcionários suplantam muitas vezes os recursos materiais que o governo fica de enviar e a burocracia impede.

Tem índios isolados também no Maranhão, no Mato Grosso, no Pará, no Amazonas e, a FUNAI fez o registro de 104 grupos, mas somente 26 deles foram monitorados.

É por isso que os ambientalistas lutam e tentam parar com o desmates na floresta Amazônica, antes que tudo fique apenas na recordação de quem teve o privilegio de viver nela, ou de conhecê-la antes de sua total destruição que grupos de madeireiros, cooperativas garimpeiras e plantadores de grãos e pecuaristas vêm fazendo nos dias atuais, assessorados por maus políticos.

É por isso que o seringalista Sissi terminou este artigo dizendo que, quando surgir um político honesto, nacionalista voltado à ordem e ao progresso de todos os brasileiros, o futuro chegará realmente pra nós, mas hoje, só vemos um país atolado em escândalos por causa de corrupção e mentiras dos parlamentares que deveriam estar nas penitenciárias e não no Congresso Nacional. Arre égua! Prefiro ser índio isolado também!  Vou! Fui! Inté!

Vismar Kfouri – Jornalista, escritor e ambientalista. <kfouriamazonia39@gmail.com – Blog: https:\\kfouriamazonia.wordpress.com – Contatos P\Palestras: 17-99186-7015.

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