O sonho do ribeirinho

Na margem do igarapé, no meio da floresta amazônica,

Dorme tranquilo em sua rede velha e puída,

Um jovem ribeirinho que sonha com sua amada distante…

Um sorriso vem espontaneamente aos teus lábios…

Quanta humildade e quanto amor num sorriso fortuito e

Sem querer…

Amar faz bem à alma e ao corpo diz o poeta…

Na água cristalina que corre célere ao seu lado, uma jatuarana salta fora para pegar uma guloseima que passava voando…

A jatuarana saciou sua fome, o ribeirinho ainda não…

De saudades do amor distante, ele continua sonhando e sorrindo, mostrando dentes alvos como marfim…

Acima dele num galho de uma seringueira já cansada de doar riqueza aos ribeirinhos…

Um uirapuru canta e emudece a floresta inteira com seu mavioso canto…  É a mais bela demonstração que o Criador deu a natureza…

Beijos, corpos se enrolando em espasmos desmedidos, gemidos sem fim…

Cheiro de suores se misturando como línguas que se entrelaçam como cipós…

Bocas que se abocanham, lábios que se sugam, salivas que se tornam doce como mel…

Corações ribombeiam em explosões compassadas, mas agitadas como ondas do grande mar…

Corações arfantes, arfantes demais…

Mentes que não pensam, mas sentem prazer e cheiro do amor desejado…

Convulsões que quase mata, mas quem não quer morrer de amor?

O tempo passa… O amor permanece… O igarapé corre…

Uma casinha de paxiuba coberta de palha, uma velha rede de casal já puída pelo tempo…

Tempo que passou, tempo que não morre nas mentes de quem muito amou…

Que importa o tempo se amamos com fervor e fizemos os corações irem aos píncaros do prazer?

Que importa se envelhecemos, mas lembramos e recordamos com saudades dos amores desfrutados?

Que importa a morte se antes amamos intensamente e nos entregamos como se nada existisse além de nós, do nosso amor?

Quem muito amou não tem medo do infinito…

Na bela e luxuriante floresta Amazônica os amores começam cedo e terminam tarde…

Amamos tanto, que muitas casas se acabam e logo construímos outras, assim é o amor amazônida…

Jamais fenece quem nele se fortalece…

Os rios são nossas estradas, não importa quanto vamos remar, se vamos namorar…

O ribeirinho acorda com o barulho de araras se amando galhos acima fazendo um estardalhaço imenso…

É o amor em todas as plenitudes…

Seu peito continua arfante, arfante até demais…

Sai da rede entra na velha canoa e rema alucinado igarapé abaixo ao encontro da amada…

O chamado do amor é forte, tão forte quanto seu coração que quase não suporta explosões de ansiedade…

Quem não sente ansiedade, não sofre de amor….

É por isso que o ribeirinho da Amazônia é rápido no remo…

Chega antes da canoa…

O amor não espera…

A amada sim…

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